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É difícil imaginar como Kingdom Hearts agradou alguém. Parece ridículo, até impossível, para um jogo combinar os auto-importantes personagens de Final Fantasy com os personagens de coração leve, até bobos, da Disney. Mas aqui está, claro como o dia: Kingdom Hearts, um jogo de ação e aventura que com certeza apela para os fãs de jogos anteriores da Square ou desenhos da Disney, pelo menos em um nível estranho. Apesar da jogabilidade de Kingdom Hearts não ser tão notável quanto o conceito, e o roteiro permanecer sempre na fina linha entre o previsível e o incoerente, você ainda vai gostar de andar através dos vários cenários do jogo, cruzando com mais aparições da Square e da Disney do que você achou que veria em algum lugar só.

Ter o Pato Donald e Cloud Strife de Final Fantasy VII no mesmo jogo (até se batalhando) merece alguma explicação. O que raios está acontecendo
em Kingdom Hearts
? Bom, parece que alguma força nefasta está mexendo nas energias de vida de um número de mundos interconectados usando uma horda monstruosa e sombria chamada de os Heartless. Apesar de que, “monstruosa” talvez não seja a palavra para descrever um grupo de caras do mal que parecem o cruzamento dos “black mages” de Final Fantasy e Marvin o Marciano dos Looney Tunes. Como Sora, uma criança jovem com roupas estranhas, pés grandes, cabelos espetados, e uma voz providenciada pela estrela do filme
O Sexto Sentido
Haley Joel Osment, você irá virar o salvador inabalável de todas essas terras perturbadas enquanto procura seus amigos perdidos. Com a ajuda de ninguém menos que Pateta e Pato Donald (que por acaso procuram por Mickey Mouse) e armado com sua confiável Keyblade, você visitará um número de mundos estranhos-mas-familiares antes de sua jornada se completar.

Ao longo do caminho, você encontrará alguns dos personagens mais famosos da Disney, e também alguns dos melhores da Square. Mas não se engane, pois tem muito mais Disney aqui. Então enquanto você não deve esperar encontrar algum do seu personagem favorito de Final Fantasy, se você é um grande fã da Disney, espere uma surpresa. Fãs da Square podem ainda gostar pelo fato de Kingdom Hearts manter todas as características de um jogo da Square, completo com todos os gostos de construção de personagem, itens secretos, minigames, e batalhas de chefe impressionantes.


Kingdom Hearts não é um RPG como Final Fantasy X (do mesmo ano), mas tem vários elementos deste tipo de jogo. Seu personagem ganha níveis, feitiços, e habilidades especiais enquanto continua na missão, e você ainda pode sair da sua rota para achar itens especiais ou voltar para a cidade e comprar melhor equipamento. Ainda assim a ação acontece em tempo real, e há muita. Você batalhará contra os Heartless em virtualmente toda cena do jogo, e quando derrotar um grupo, outro materializará logo no momento e naquele mesmo lugar. Kingdom Hearts também tem um bom número de seqüências de pulo-plataforma e alguns puzzles para resolver. È um jogo linear, apesar de que algumas vezes você tem uma escolha de onde ir primeiro. È também um jogo razoavelmente longo (não tanto quanto Final Fantasy X, mas certamente maior que a ação-aventura normal de 10 horas).

Apesar de Kingdom Hearts alcançar seus objetivos na maioria dos níveis, sua jogabilidade pode ficar tediosa. No padrão, a câmera tenta ficar atrás de Sora enquanto caminha, mas você conseguirá se mover mais agilmente do que a câmera, o que pode causar dores de cabeça. Você pode trocar para uma câmera manual (o que complica as coisas, mas te dá um melhor controle na perspectiva), mas a câmera ainda tropeçará se você chegar perto de paredes ou outros obstáculos. Os mundos que você irá visitar são na sua maioria tematizados com vários filmes Disney (Alladin e A Pequena Sereia, para nomear alguns). Apesar dos inconfundíveis estilos de visuais diferentes de cada um dos cenários, a essência da jogabilidade tende a ser a mesma em cada um. Enquanto há uma história abrangente
em Kingdom Hearts
, às vezes descansa um pouco mostrando uma versão adaptada do filme Disney no qual o filme é baseado. Para ajudar o herói do mundo a derrotar o vilão e restaurar a ordem, você basicamente precisará correr de uma área pequena para a próxima, lutando contra os exércitos de Heartless e o ocasional chefe.


Pode haver muitas vezes em que você precisará voltar em cada seqüência, mas você pode nem perceber, porque geralmente você não receberá instruções muito precisas do que fazer depois. Você terá que andar e ver o que acontece, e como os mundos são relativamente pequenos, você cruzará com o próximo checkpoint eventualmente. Não tem nada como chegar a um beco sem saída e perceber que você deveria ter ido para o outro lado. Isso não compõe realmente um senso de exploração satisfador, apesar de que você amará botar os pés em cada novo mundo.


O combate
em Kingdom Hearts é bem divertido, apesar de que pode ficar bem repetitivo. Inicialmente, você pode apenas executar um pequeno combo usando sua Keyblade. Você logo se junta com Donald e Pateta, que lutam ao seu lado autonomicamente. É bom ter companhia através do jogo, mas esses dois (e os outros que irão se juntar com você) estão basicamente lá para atrair alguns dos ataques dos inimigos e providenciar cura ocasional. Você pode personalizar seu comportamento nas batalhas, mas você ainda tem que se virar sozinho. Depois, você ganhará acesso a numerosas habilidades e magias, incluindo alguns feitiços de summoning visualmente impressionantes. Seus inimigos vêm em uma grande variedade de formas e tamanhos, mas você irá derrota-los só por amassar o botão de ataque até que eles explodam em pequenos orbs que te dão dinheiro ou um pouco de vida ou poder mágico se você coleciona-los. E como você só lutará com alguns tipos de oponentes em uma certa área, e como eles continuarão vindo não importando quantos você derrote, você eventualmente verá os Heartless somente como obstáculos (corra pra longe deles, e não haverá problemas).

As lutas contra chefes de Kingdom Hearts são provavelmente o destaque da jogabilidade. Por um lado, eles estão para todo lado, indo do muito fácil até o razoavelmente difícil. Em outros casos, você se frustrará por ter que assistir vídeos pré-lutas de novo toda vez que for derrotado. Mas há razoável variedade nos encontros, e alguns deles são tão inegavelmente impressionantes que você irá enfrentar cada um mais ansioso do que com tédio. As táticas que você deve usar para suceder irão variar razoavelmente, mas simples lógica e bons reflexos vão importar mais que resolução de puzzles ou adivinhação. Na verdade, em uma semelhança com os jogos Final Fantasy, uma tática perfeitamente viável para passar das lutas mais difíceis do jogo é simplesmente passar bastante tempo matando Heartless antes. Ganhe níveis suficientes e aquelas lutas difíceis ficam uma brisa.


Um aspecto da jogabilidade de Kingdom Hearts que não encaixa bem são as seqüências de tiro entre os mundos. O que toda essa coisa de shooter futurista em terceira pessoa está fazendo no meio desse jogo? Bom, talvez não esteja mais fora do lugar que qualquer coisa, mas o problema é que não é executado efetivamente. Os estágios de tiro são só puras imitações dos jogos Star Fox, da Nintendo, e te deixarão preso nos trilhos por vários minutos de uma vez enquanto você explode um monte de objetos indistinguíveis. Os fundos psicodélicos e formas abstratas quase fazem essas seqüências mais chatas do que realmente são. Em alguma hora, sua percepção de espaço vai estar fora de prumo no espaço sideral, e por alguma razão você freqüentemente errará seu alvo. O fato é que há uma ferramenta de construção de naves até envolvida, mas decididamente enrolada, deixando você personalizar uma nave, ou até construir outra do nada, que no final é uma perda de tempo (a única coisa que você vai querer é acabar os estágios de tiro o mais rápido possível, e como são todos fáceis, você vai).


Como nada mais, os estágios de tiro claramente estão entre você e a próxima chance de conhecer um dos coloridos personagens do jogo. Não há como negar que os valores de produção de Kingdom Hearts são algumas das melhores coisas sobre o jogo, senão

a
melhor. Apesar de que virtualmente tudo que você verá no jogo é exibido em tempo real, Kingdom Hearts é maravilhoso visualmente, e a maioria dos personagens (especialmente os personagens Disney) são realmente impressionantes. Os personagens Disney, apesar de serem inteiramente 3D, geralmente conseguem capturar todas as animações faciais detalhadas e movimentos expressivos de suas contrapartes cinematográficas (uma façanha incrível para um jogo, considerando que os animadores Disney são alguns dos melhores do mundo).

Aliás, os dubladores que providenciam as falas também fazem um trabalho excepcional em sua maioria. Nem todo o diálogo é falado, mas bastante é, e todo o diálogo falado é excelente. Kingdom Hearts é cheio de cenas não-interativas, e para o melhor ou pior, são provavelmente os melhores momentos do jogo. Você irá adorar assistir às estranhas interações entre personagens que você nunca pensou que veria no mesmo lugar. Você poderá ter certeza de que algumas cenas tiveram mais esforço que outras, e os roteiristas da Square não tem a mesma queda pelo humor que os roteiristas da Disney têm, mas no fim há uma chance muito boa de que você gostará de assistir Kingdom Hearts ainda mais do que jogar. Apesar do roteiro excelente, o resto do áudio
em Kingdom Hearts
é um pouco decepcionante. Os efeitos de som são simples e reprimidos, mas a música pode ser muito áspera. As composições efetivamente combinam com cada mundo que você visita, mas cada repetição é tão curta que você já vai ter se cansado muito antes de fazer o que você precisava na área.


Kingdom Hearts ainda é ótimo, principalmente porque captura com sucesso o espírito da Square e da Disney em um jogo só. O jeito que acontece não pode ser descrito tão facilmente quanto pode ser experimentado, então se você achar a idéia pelo menos um pouco intrigante e estiver disposto a lidar com alguns defeitos na jogabilidade, então você deveria dar uma chance a Kingdom Hearts. Como os desenhos Disney que inspiraram o jogo, pode ser recomendado para mais ou menos todo mundo.